Trajetória

Da infância em tempos de guerra aos dias de hoje

Nascido num país distante, criado
numa família de onze filhos, Frei Cláudio
relata que teve uma infância difícil.
Eram tempos de guerra e a Holanda foi
invadida pelo Exército Nazista, quando
ele contava sete anos.
Naquela época, testemunhou as
atrocidades da guerra e aprendeu,
com o exemplo dos pais, a indignar-se
contra a violência, a compadecer-se dos
mais sofridos e assumiu o compromisso
cristão de lutar pela justiça e pela paz.
Quando convidado pelo diretor da
Escola onde estudava a realizar um curso
profissionalizante, o que constituía uma
distinção, ele recusou. Para surpresa da
família, optou por ser padre.


Chegou aqui muito novo, aos 16 anos,
e logo se interessou por compreender os

brasileiros. Estudioso, tornou-se conhecedor
não só da nossa cultura como da
língua portuguesa, no Brasil, tornando-se
um escritor de destaque em nosso país.
Fez seus estudos em São Paulo e
doutorou-se em Teologia em Roma;
mais tarde, graduou-se em Psicologia
em Belo Horizonte.


Com um grupo de jovens carmelitas,
chegou à Paróquia de Nossa Senhora
do Carmo, em Belo Horizonte, em 1967.
O grupo, coordenado por Frei Paulo
Golarte, mostrou-se logo entusiasmado
com os desafios encontrados. Inicialmente,
tomaram a decisão de promover
uma pesquisa para melhor conhecer
a Paróquia e a vizinhança; desde então,
podia-se perceber a discreta liderança
do jovem Frei Cláudio.

 

Os frades, sob a influência do Concílio
Vaticano II, introduziram a espiritualidade
de Jesus, numa relação respeitosa
com os paroquianos, aproximando
leigos e sacerdotes no exercício da fé.
Foi o início de uma cumplicidade
fecunda entre a Igreja e os bairros
que, hoje, constituem a Comunidade
Carmo-Sion. Centenas de voluntários
se integraram em dezenas de serviços,
que se multiplicaram e transformaram
a Paróquia Nossa Senhora do
Carmo em referência nacional de Pastoral
Urbana.

 

Início da ação pastoral

Os jovens carmelitas vieram com o objetivo de continuar os estudos de Teologia e de reorganizar a vida pastoral na Paróquia. Tratava-se de colocar em prática as conclusões e determinações do Vaticano II, Concílio que representara a “nova primavera” na Igreja Católica, segundo palavras de seu mentor, o Papa João XXIII.
A vida pastoral, aqui, orientava-se por um estilo tradicional, que vinha desde a fundação da Paróquia, em 1940 e

visava manter os paroquianos na Igreja, restringindo-se a alimentá-los com os sacramentos. A participação dos leigos resumia-se em frequentar celebrações e rituais, numa linha devocionista. Contava, sobretudo, com mulheres e crianças, sendo rara a presença masculina, com exceção, talvez, nos batizados e missas de sétimo dia...


Logo após o Concílio Vaticano II, houve forte crise de identidade entre os padres e os candidatos ao sacerdócio. A
diluição da identidade clerical ocorreu, a partir do próprio Concílio, ao afirmar que a Igreja era do povo e não só dos
padres. A nova maneira de se compreender e se valorizar como padre, trouxe desconforto para aqueles que exerciam sua autoridade, baseada, sobretudo, no controle da vida religiosa dos fieis.


A fé, agora, inserida na realidade, dava a impressão de que “bastava a vida”, relativizando-se as práticas religiosas

tradicionais. Nessa fase iconoclasta, houve o afastamento e a destruição de imagens, tanto no sentido material quanto simbólico. Procissões e devoções perderam o espaço, que foi ocupado pelas reflexões teológicas atualizadas e a apresentação de um cristianismo secularizado.

 

O que ocorreu na vida eclesiástica repetiu-se com os leigos: 

quando não tinham uma forte motivação religiosa
interior, sentiam-se desobrigados das antigas penitências,

determinadas pelo pecado e se afastaram da Igreja. Os
que buscavam um novo sentido para a vida de fé receberam

com alívio e entusiasmo as conclusões do Concílio; esses se

aproximaram ainda mais. Por essa época, os Freis Cláudio,

Carlos e Domingos, que eram professores no
Instituto de Filosofia e Teologia (IFT), deixaram as aulas e,

decidindo difundir o Vaticano II, passaram a trabalhar,
somente, com a comunidade de leigos.

 

Tendo buscado orientação nas conclusões do Concílio, os freis carmelitas foram coerentes: começaram por conhecer os moradores do Carmo. Foram inúmeras as visitas, contatos, convites para reuniões, objetivando sondar o que a comunidade queria da Paróquia. Logo se percebeu a necessidade de uma pesquisa que sistematizasse as respostas e os resultados. A pesquisa, feita pela PUC, levantou a situação física do bairro, sua cultura e realidade socioeconômica. O diagnóstico inicial foi decisivo para a criação de comunidades de base, que logo se multiplicaram.
 

O Carmo, em 1967-1968, fervilhava. No bairro, viviam muitos jovens adultos, egressos dos diversos ramos da Ação Católica e vários tipos de militantes contrários à ditadura. Através de atos institucionais, o regime perseguia e prendia seus oponentes, inclusive padres católicos comprometidos com a Teologia da Libertação, entre esses, alguns frades carmelitas. Na primeira fase do regime militar, a Igreja institucional abandonara os católicos progressistas. Mais tarde, percebendo a situação de injustiça, instalada no país, a Igreja se opôs ao regime e inovou pastoralmente.


Os tempos eram duros, difíceis. Foram chamados “anos de chumbo”: era o governo Médici, quando as prisões, torturas, desaparecimentos e censura à imprensa eram comuns. Tempo de muitos exilados, luta armada, guerrilha do Araguaia e do “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Tempo da perseguição à Igreja progressista, como o boicote ao trabalho de D. Helder Câmara. Tempo, também, do “milagre econômico” – Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, Hidrelétrica de Itaipu – e da vitória do Brasil na Copa de 1970. O país avançou, mas a desigualdade social cresceu, assim como a dívida externa.

 

A Pastoral do Carmo privilegiou, desde seu início,

a qualidade das relações interpessoais. 
Os carmelitas ofereciam uma ação, ao mesmo tempo,

comprometida com a Teologia da Libertação e envolvida
com a transformação da realidade local. Muitos cristãos,

antes desiludidos com a Igreja e o país, descobriram novo

sentido de vida na ação pastoral. Os diversos cursos,

reuniões e debates, a partir dos documentos do Concílio,
enchiam as salas do convento todos os dias da semana.

Os cursos de Atualização Teológica para leigos tinham
as vagas esgotadas.

Em 1968, houve, na Igreja do Carmo, um debate sobre 

conflito de gerações, conduzido pelo Prof. Sobral Pinto,

eminente jurista da época, com a participação de outras 

personalidades do cenário nacional.

O evento foi notícia nos principais veículos de comunicação da cidade.


As celebrações e as missas confirmavam a prática. Os primeiros boletins, publicados semanalmente, definiam o
estilo de pastoral urbana implementada, feliz síntese entre fé e cultura. Frei Cláudio e Frei Paulo propunham,
a cada domingo, boletins extremamente criativos, ilustrados com músicas populares da época – canções de Chico
Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, entre outros – integradas a comentários do Evangelho e
notícias da Paróquia.

Um gesto vale mais...

Ao final de 1974, o Boletim abria as contas da Paróquia e, uma novidade,
a nova marca com o novo slogan: Um gesto vale mais que mil palavras. Em uma frase, sintetizou a vocação da pastoral que foi assumida pela Comunidade.

 

A escolha foi comemorada por traduzir com fidelidade o significado das ações implementadas nos vários serviços. No ano seguinte, 120 pessoas, reunidas no Salão Paroquial, decidiram trabalhar como voluntárias na Paróquia.

 

Centro Cultural, Centro Recreativo, Centro Social, Banco de Utilidades, Reabertura da Biblioteca, Corais, Campanha do Dízimo, Culto Ecumênico pelo
Ano Internacional da Mulher, renovação do canto nas Missas... tudo acontecia com intensa participação da comunidade do bairro.

 

 

No ano de 1978, um grupo de paroquianos, liderados pela maestrina Moyara Ribeiro Ferreira, voluntária,
criou o Coral do Carmo. O grupo contava com mais de 14 membros e se reunia para ensaios duas
vezes por semana.

 

O Coral Cantate surgiu como desdobramento da atuação da Equipe de Canto da Paróquia do Carmo, no final
de setembro de 1990, para participar das celebrações e de eventos diversos fora da Igreja.
O repertório não se prendia somente a músicas sacras: cantavam também músicas populares, tanto estrangeiras
como brasileiras. Seu maestro voluntário era Renato César de Souza, que também trabalhava em vários serviços do Carmo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prova da vitalidade pastoral foram os diversos livros, lançados nessa época:

“Entender... Moral, Pecado e Confissão”, “O jeito hoje de viver a fé”, a Coleção “No ritmo da vida”, assinados
por Frei Cláudio, Eliane Moreira e Eliane Pimenta, publicados pela Editora Vozes. O último, destinado à Catequese,
vendeu 100 mil exemplares no México, além de vários outros países.


Dois serviços importantes na área da Promoção Humana ganharam estatura definitiva nesse período: o Ambulatório Médico e a Escola Profissional. O Ambulatório foi ampliado, aumentando o atendimento nos setores
odontológico, laboratorial e farmacêutico. O setor médico contava com 22 médicos em diferentes especialidades;
seis enfermeiras; oito técnicos no laboratório de análises clínicas; dez voluntárias na farmácia.
Na Escola Profissional, 159 alunos chegaram ao final dos cursos do primeiro semestre: uma centena e meia de
pessoas teve aberto um novo caminho de oportunidades. A Secretaria de Trabalho e Ação Social reconheceu oficialmente os cursos oferecidos.

 

Já se iniciara o processo que, em poucos anos, afastou do Carmo cinco frades. Os boletins, termômetro fiel dos fatos da comunidade, deram o alerta:
  Crise de padres – não são poucos os paroquianos revoltados, porque hoje não são atendidos com a presteza de um tempo atrás. O motivo é que o número de padres reduziu-se assustadoramente.
  No Brasil, para uma população de 110 milhões de habitantes, são, hoje, cerca de 12 mil padres, dos quais mais de 50%, estrangeiros. Por que não existem vocações suficientes no país?


Frei Cláudio continuou animando as pastorais e coordenando os voluntários nos diversos serviços. E ainda achou
tempo para cursar Psicologia. Os carmelitas Paulo Golarte, Carlos Mesters e Domingos Fragoso já haviam deixado
Belo Horizonte. Além de notícias e do texto das Missas, os boletins sempre trouxeram 
– como fazem até hoje, a cada semana – um texto de Frei Cláudio. Com raro domínio da língua, ele vem propondo, por anos a fio, reflexões abertas e avançadas, sobre temas do momento que muito contribuem para o crescimento da comunidade.

 

Tempo de conscientização política

A década de 1980, início da idade da informação, foi chamada por muitos de “a década perdida”, dos pontos de vista
econômico, do crescimento e do desenvolvimento. Terminou com uma hiperinflação no país. Nos primeiros anos
dessa década, o Brasil ainda vivia uma ditadura militar. Aos poucos, a pressão popular por eleições resultou no
movimento por “Diretas Já”, que contava com a participação de intelectuais, artistas e pessoas ligadas às igrejas.

 

No Carmo, os anos 1980 iniciaram-se com um detalhado relatório das despesas e receitas referentes às diversas atividades aqui desenvolvidas: Ambulatório, Pão de Santo Elias, Escola Profissional, Pró-Menor, Casa-Lar Horizonte,

Curso de Noivos, Encontro de Casais, Grupo de Jovens, Bazar da Vovó, Coral do Carmo, Psicologia, incluindo os serviços religiosos e a administração geral. Apresentava, também, o número de voluntários e atendimentos de cada
setor. A Comunidade foi informada da destinação do dízimo, além de conhecer a magnitude do trabalho, realizado na 
Paróquia, ação que incluía muita gente vinda de outros locais.
Centenas de voluntários, integrados nas atividades pastorais, davam sustentação ao trabalho de Frei Cláudio.
Para o Serviço Religioso, ele contava com o auxílio de frades que passavam pela cidade, aqui permanecendo por
pouco tempo: Freis Carlos Mesters, Paulo Golarte, Domingos Fragoso, Martinho Cortez.

Multiplicam-se os serviços, cresce a participação

A partir de 1990, o Brasil viveu um período de instabilidade, com o confisco da poupança pelo, então, Presidente
Fernando Collor, o que desencadeou o movimento dos “Caras-Pintadas” e o pedido de impeachment. No governo
seguinte, do Presidente Itamar Franco, foi alcançada a estabilidade econômica com o Plano Real.

 

No Carmo, Frei Cláudio foi indicado como Pároco, pelo Provincial Carmelita e aprovado pelo Arcebispo D. Serafim

Fernandes de Araújo, que lhe enviou uma nomeação formal. Frei Inocêncio assumiu a função de Vigário Paroquial.
A publicação dos boletins, valioso instrumento de formação/informação da comunidade, prosseguia regularmente.
Eram mantidos o texto da Missa e suas leituras, alguma reflexão de Frei Cláudio e as notícias da Paróquia.

 

Poder feito serviço

Frei Cláudio sempre demonstrou uma rara capacidade de congregar e mobilizar pessoas. A magnitude dos números, tanto de voluntários, quanto dos serviços prestados à comunidade, pela paróquia, expressam a confiança que ele desperta por onde passa. Ele acredita – e dá testemunho desta crença – no exercício do poder feito serviço,
despertando, em muitos, o desejo de também participar, de trabalhar pelo bem comum.


Ao longo de décadas e paralelamente aos serviços pastorais, muita gente foi chamada a colaborar com os mais variados projetos de Frei Cláudio. Citamos alguns como exemplo:

 


• Projeto PROHABITAR (1989) – Com o apoio de diretores, professores, pais e alunos de vários colégios da cidade criou-se um Fundo, administrado pela igreja do Carmo, destinado à promoção humana, principalmente crianças e moradores de rua. O projeto marcou presença na Vila do Acaba Mundo e no Morro do Papagaio, financiando material para a reforma de barracos e construções em alvenaria. Segundo Frei Cláudio, essas ações buscam melhorar a qualidade de vida, o que se reflete nas relações, e agem como um milagre no cotidiano das pessoas. Morar melhor permite organizar a convivência e desenvolve uma cultura moral e cidadã.


• Associação dos Catadores de Papel e Papelão – ASMARE – A partir de 1987, iniciou-se o processo de organização social e produtiva, através do qual os resíduos recicláveis tornam-se matéria prima e geram trabalho e capital. A associação formalizou-se em 1990.


• Conselhos – Renovados sistematicamente, os Conselhos são órgãos de assessoramento da paróquia, em questões das Pastorais e Serviço, em questões financeiras e de arrecadação de fundos, e de comunicação.


• Bazar da Família – o bazar funciona como um grande entreposto, recebendo, fazendo a triagem e distribuindo as doações recebidas. 


 

A credibilidade dos serviços prestados pela Igreja do Carmo está diretamente ligada à quantidade de doações de todo tipo, inclusive de livros (direcionados à Biblioteca).

Novos tempos, novos desafios

Com a aproximação do terceiro milênio, Frei Cláudio inicia o primeiro boletim de 1999 com uma fala bastante contundente,
redefinindo a missão e a visão da Paróquia do Carmo para novos tempos:

 



Não sofreria a liderança eclesial de uma certa ilusão de ótica quando fala de crise de fé? Por que não aborda problemas de conteúdo à luz dos sinais dos tempos, relativizando um pouco a própria instituição? Ou será que ainda sonha com uma Igreja-Fortaleza para a cultura pós-moderna? Mas, Jesus não veio para ser servido e, sim, para servir.

 

Se novas modalidades de religião vão engrossando suas fileiras, será por que o povo está deixando a Igreja? Ou será que a Igreja abandonou, sob certos aspectos, o povo, fazendo ritos e disciplinas prevalecerem sobre pessoas e vidas? Chegou a hora de tomarmos consciência de que o Deus de Jesus de Nazaré é o Deus da humanidade e da história. O rigor do dogmatismo, a desatualização da pastoral e a sacramentalização representam um estreitamento de horizonte, uma infidelidade ao cerne da fé cristã.

 

Deus, o Senhor da história, através de nós e das nossas comunidades, espera que a Igreja se apresente ao mundo como uma casa aberta, que ofereça alimento substancioso aos peregrinos e, que seja um lar acolhedor, em que haja a

solidariedade dos irmãos. Deus mostra-se presente, quando realizamos gestos que falam mais que mil palavras.

 



O Frei se desdobrava na administração da Paróquia, na elaboração de livros, artigos e textos sobre os diversos temas da época e na preparação semanal dos boletins. E ainda atendia a convites para palestras e cursos, vindos de instituições civis e religiosas.

Os cristãos no ano 2000

Frei Cláudio, no primeiro boletim do ano 2000, alerta os paroquianos para os desafios dos cristãos no novo milênio:


- Jesus não veio para desintegrar, mas para completar, conduzir à plenitude. Ele é a vida que tudo integra, de modo que
toda parcela de verdade seja reconhecida e acolhida e o Evangelho seja avaliado como tenra, mas vigorosa, planta
que afunda suas raízes em toda cultura.


Reforçando seu argumento, ele cita uma resposta, clara e direta, de Gandhi acerca do modo como o cristianismo
poderia fazer parte da cultura indiana:


- Antes de tudo aconselho que todos, também os missionários, comecem a viver como Jesus Cristo viveu.


- Segundo, pratiquem sua religião sem violentá-la ou enfraquecê-la.


- Terceiro, priorizem o amor e o transformem no poder principal de sua doutrina, pois o amor é o pensamento central do
cristianismo.


- Em quarto lugar, estudem com mais simpatia, as religiões não cristãs e procurem encontrar nelas o bem, para que lhes seja mais fácil se aproximarem do povo.

Espaço de acolhimento, de humanismo e de espiritualidade

A partir de 2002 e até o final da década, confirmou-se, no Carmo, o
estilo de Pastoral Urbana, modelo de evangelização e promoção humana que referendou a Paróquia como exemplo.


Um Ambulatório com mais de dois mil atendimentos mensais, farmácia, serviço odontológico e psicológico, e mais creches, biblioteca, escola profissional, cursos de noivos e encontros de

casais, catequese, pastoral do batismo e outros serviços sociais e religiosos fazem parte da obra do Carmelita apaixonado
pelo Brasil. 

O Carmo afastou-se, definitivamente, do antigo modelo de paróquia que previa uma população estável e conformada com as práticas religiosas pré-Vaticano II.

 

Frei Cláudio orientou centenas de voluntários a:


• acreditarem no aspecto missionário da Igreja;
• valorizarem a pastoral ambiental e os diálogos fé e política, fé e
ciência, para que a Igreja mergulhe na cultura contemporânea;
• priorizarem as relações fraternas e positivas, assim como a atenção aos mais carentes;
• multiplicarem os grupos de reflexão bíblica e oração, criando
novos laços de comunhão;
• exercerem o acolhimento e viverem a espiritualidade.


Houve um esforço de se libertar de ritos burocráticos e sem significado, passando-se a formas de oração que exprimissem
vivências coletivas, na fidelidade ao Evangelho de Jesus.

As mudanças na liturgia, expressas nos boletins da Missa, incomodaram as autoridades eclesiásticas, pela forma
diferenciada de condução das celebrações.
A Frei Cláudio, nunca faltou coragem para defender suas convicções.
Certa vez, advertido pelo bispo quanto ao conteúdo e forma dos boletins, levou a questão à apreciação da comunidade.

 

Em abril de 2010, recebeu, do governo do Estado, a Medalha da
Inconfidência. No domingo seguinte ao evento, ele transferiu a condecoração à Comunidade, entregando-a a D. Regina Saturnino Figueiredo. Não poderia haver representante melhor, nem homenagem mais justa.

 

No mesmo ano, Frei Cláudio enfrentou ameaça de afastamento,
que acabou sendo revertida pela mobilização dos paroquianos.
Situação de desconforto repetiu-se em 2013. Mais uma vez o grupo, que participa da Missa das 11h, de domingo, formado de mais de mil pessoas, levantou-se em defesa do Frei e de sua prática pastoral.